9/2 – Debate: Ética Digital, o uso responsável da web

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Debate: Ética Digital – o uso responsável da WEB (Palco Artes Digitais)

As crianças e adolescentes de hoje dominam o computador, o videogame, o celular, os tablets com uma facilidade impressionante, vivendo imersos na cultura digital. Aprendem ou descobrem tudo sozinhos, ou trocando informações com amigos e até mesmo com desconhecidos. Mas é possível trazer o universo da geração interativa para a sala de aula? Os alunos da geração interativa estão realmente preparados para usar as telas digitais com responsabilidade? Neste debate vamos discutir sobre como educar com e para o uso responsável das telas digitais, envolvendo educadores, pais e os próprios alunos.

 

Participantes:

Vânia Sandeville[1], Professora Orientadora de Informática Educativa (POIE) na EMEF Leonor Mendes de Barros. Integrante do Projeto Minha Terra e autora de trabalho sobre ciberbullying. Autora do blog Lab Leonor Mendes.;

Carolina Quattrer Pinheiro[2], Professora Orientadora de Informática Educativa (POIE) e Dinamizadora do projeto Aula Fundação Telefônica na Unidade Municipal de Educação (UME) Avelino da Paz Vieira em Santos -SP;

Rafael Parente[3], Subsecretário de Novas Tecnologias Educacionais na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro (SME-RJ). Um dos idealizadores do projeto desenvolvido pela SME-RJ, intitulado Reforço Digital e a Educopédia;

Laís Souza Costa, Aluna da EMEFM Darcy Ribeiro (São Miguel Paulista – SP), representante da Imprensa Jovem, projeto da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP) que visa promover a formação de professores e alunos em educomunicadores, para integrar as mídias eletrônicas e audiovisuais no currículo da escola.;

Rodrigo Nejm, diretor da Safernet[4] no Brasil;

Luciana Cavalini, mediadora, gerente de Comunicações e Relações Institucionais da Fundação Telefônica/VIVO.

 

O debate ocorreu no dia 09 de fevereiro, das 14h as 16h e nele haviam entre 40 e 60 pessoas (variou ao longo do tempo de duração do debate). E na plateia haviam aqueles conectados (laptop, smartphones, tablets) e os não conectados, mas havia uma quantidade razoável de não conectados.  Grande parte da plateia parecia ser formada por pessoas que atuavam no setor e que mostraram alto grau de interesse pelo tema.

Depois das apresentações, Rodrigo Nejm começou o debate propriamente dito, afirmando que valores e ética devem orientar sempre as ações das pessoas, não importando se a pessoa estiver num desktop, ou usando qualquer dispositivo móvel, seja um notebook, um smartphone ou um tablet, sendo que para ele a mobilidade é tão somente uma extensão do espaço público.

E também afirmou que muito se fala sobre “educar para o mercado”, mas não se fala em educar em ética e em diretos humanos.

Também fez uma afirmação interessante de que, na época da “Internet das coisas”[5], estar off line ou on line não faz mais sentido, estaremos sempre conectados, então o que fará grande diferença à criança serão as noções de ética e cidadania que a orientarão. E consequentemente, também não se deveria focar prioritariamente as questões de segurança nos equipamentos e nas mídias, mas sim no ensino e vivências da ética e da cidadania.

A primeira pessoa a perguntar trouxe um a questão pontual, a questão do bluetooth[6] e troca de fotos eróticas entre os alunos via celular.

Rodrigo Nejm comentou que é um assunto complexo e que passa pela febre de erotização precoce que celebridades, novelas e outros fazem ocorrer entre as crianças. E que para ele esse assunto passaria pelos valores que as crianças aprendem e apreendem.

Já Rafael Parente comenta que isso faz parte de um quadro geral em que as crianças não têm noção de que o que elas colocam na Internet nunca mais saíra dela, não é possível apagar. E que redes educacionais do Brasil e do mundo geralmente tem por hábito proibirem muito, porém afirma que proibição não é educação. Só se educa nesse sentido através de debates, orientações, conversas e aproximações, da parte dos educadores, ao mundo das crianças. Ou seja, os educadores deveriam ir até onde as crianças estão. Para ele não se consegue proibir o mau uso ou o uso não-ético da WEB, só se consegue orientar para que isso não aconteça.

A segunda pessoa a perguntar, a professora Gabriela, da Rede municipal do Rio de Janeiro, diz que usa o computador em sala de aula e que já teve problemas, mas que procura resolve-los com participação e respeito. Acredita que o uso consciente seja sinônimo de um bom uso, citando que isso ocorre com seus alunos no Orkut e no Facebook.

Ela retomou o tema das fotos eróticas, dizendo que só mudou a “roupagem”, pois antigamente eram fotos da revista Playboy que eram levadas para as aulas.

E fechou dizendo que também seria necessário um trabalho compromissado dos docentes, o que muitas vezes não ocorre. Ou seja, segundo ela, deve haver ética não só no uso da tecnologia, mas na vida em geral.

Laís Costa comentou que não há como proibir o uso da Internet hoje em dia, já que celulares e as operadoras contribuem para isso.

Vania Sandeville diz que tudo que seus alunos produzem nas aulas eles postam nas redes sociais, como exemplo cita a feira de ciências, e eles se orgulham disso, além de estarem aprendendo a fazer comentários no Twiiter, no Facebook, e no rádio. Os professores orientam os alunos, passam filmes, etc, para criar o uso consciente da tecnologia.

Carolina Pinheiro comentou que é necessário trazer essa discussão para dentro da sala de aula e prezar para que esta discussão realmente ocorra.

A terceira pessoa a perguntar, Carlos Lyra, coordenador do programa “Nas Ondas do Radio”[7] , fala que seu grupo usa as tecnologias como um meio, que começou no analógico e foi para o digital, que é por onde os alunos deverão desenvolver a sua comunicação. E para ele escola não é um local para proibir, mas para educar. E que embora ele seja um usuário de tecnologia, não acredita que seja a tecnologia que vá salvar o mundo.

Rafael Parente fala que acredita que uma ética digital ajudará no pleno desenvolvimento do ser humano, e que há de se considerar que a sociedade foi e é impactada pelas novas tecnologias e pelo modo diferente de pensar dos nativos digitais e dos migrantes digitais. E ele acredita que a tecnologia seja um fim e que a escola deveria formar pessoas que entendam como usar as novas tecnologias e o “estrago” que seu mau uso pode acarretar.

E Carlos Lyra responde que acredita que o estudo sobre tecnologias da informação deveria ser um dos temas prioritários de estudo e discussão.

Carolina Pinheiro comenta que os migrantes digitais deveriam usar os nativos digitais para aprender com eles, mesmo que estes migrantes sejam professores. Eles, os nativos, já “nascem sabendo” e ela diz que na sua escola eles vivenciam isso.

E Vania Sandeville concordou com ela e cita situações em que os alunos já sabiam sobre fatos que ela iria contar em sala de aula e então eles viviam uma situação de troca, de uns aprenderem com os outros.

Laís Costa comenta que vive as duas situações, como aluna e como professora.

A quarta pessoa a perguntar, Cristine Parente, comenta sobre a rapidez com que as novas tecnologias entram, porém as “velhas” ainda estão por aqui, e cita como exemplo o jornal.

Ela questiona como funcionariam os trabalhos das pessoas da mesa em suas dimensões, na perspectiva de meios de comunicação, como seriam as mensagens e seus meios, suas interpretações. E diz que se deveria trabalhar todas estas questões nos conteúdos, pois acredita que se “atropela” os processos com os professores (as novas tecnologias) e se esquece das dimensões anteriores.

Rafael Parente comenta que isso diz respeito à inovação e de quanto tempo ela demora para “entrar” no mundo real e que o tempo está diminuindo e impactando cada vez mais. Existem rádios “comuns” e as online, pode se fazer download de músicas, existem jornais online e off-line. E que é difícil avaliar o impacto do computador em tudo e todos. Para ele a Internet está criando um “cérebro mundial”, que usa tudo, faz convergências. E fala da Educopédia[8], que tem aulas digitais e usa novos formatos de livros, em mídias diferentes. E que devemos prestar atenção em como as mídias se falam e convergem.

Rodrigo Nejm fala na Educação para a Mídia, vídeos da Secretaria de Direitos Humanos, e fala que, por exemplo, poucos sabem que as emissoras de TV são concessões públicas. E comenta que em pouco tempo houve muita transformação e isso está levando à uma banalização do passado recente. E destaca: os migrantes digitais banalizarem a história frente a facilidade dos nativos digitais é ruim. Influencia na criação de limites, pois é inegável que a idade (pouca) trás limitações.

E que para que este conflito de gerações fique menos impeditivo, será necessário adaptar para “o digital” conceitos de cidadania e ética.

Cristine Parente comenta que os professores têm muito a aprender com os publicitários, que transformam algo sem importância em algo importante, já que habitualmente os educadores fazem o oposto.

Laís Costa diz que o jornal construído no laboratório de Informática de sua instituição não se resume ao jogo, quer levar à reflexão.

Rafael Parente diz que é preciso menos tecnologia e se estar presente no momento presente, que é comum em bares,nas mesas, as pessoas estarem acessando o Twitter, o Facebook, etc e “não estarem ali”. E aluno precisa entender isso e que isso justifica um limite nas horas de acesso.

A mediadora Luciana pergunta então o que as pessoas deixam de fazer por causa da tecnologia.

Rodrigo Nejm fala que o CGI (Comitê Gestor da Internet) está pesquisando sobre isso, mas diz que mais de 3 horas por dia no computador, falta tempo na vida da criança e do adolescente. Segundo ele, em uma pesquisa europeia se constatou que as crianças inglesas estão dormindo 2 horas e meia a menos por noite. E diz que o “irracional” também é bom, o “não importante”, e a ética  também.

Lais Costa diz que os jovens se viciam em redes sociais e que já experimentou isso: é o Twitter e querer cada vez mais seguidores, o Facebook e querer cada vez mais postar fotos, e que alternava entre o computador e o celular.

A quinta pessoa da plateia a sentar no local de debate perguntou qual era a reação das crianças, suas alunas, pela premiação do trabalho de Vânia Sandeville sobre Cyberbullying[9] e Vania respondeu que a reação foi de orgulho.

E Vania, Carolina Pinheiro e Laís Costa aproveitaram para afirmar que trabalhar com alunos problemas os melhoram, faz diferença.

Rafael Parente fala que o debate sobre ética tem que estar nas escolas e nas salas de aula. Que se deveria dar menos enfoque a notas e mais para a “educação para valores”, a educação para a vida. E Rodrigo Nejm concorda.

Vânia Sandeville termina perguntando “Internet livre e segura como ?”, porque para ela segurança e controle não são a mesma coisa. Sem que esta diferenciação seja feita, para ela fica difícil falar de ética. E finaliza que não existe segurança e liberdade sem ética.

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Sobre maria thereza do amaral

Designer de processos [que emergem] de [pessoas em] rede(s). Consultoria e mentoria para práticas (sociais) e empreendimentos (sociais e servidores) em rede - Consultoria e mentoria em homeopatia - Pesquisadora independente de inovações sociais.
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